A FNAP – Federação Nacional dos Apicultores de Portugal, participa no projeto europeu BEEXPERT (ERASMUS-EDU-2025-PI-ALL-INNO-EDU-ENTERP – 101246794), uma iniciativa cofinanciada pela União Europeia (programa ERASMUS) e que tem por objetivo fortalecer o setor apícola através da formação de uma nova geração de consultores apícolas qualificados.
O projeto é coordenado pela Universidade de Nápoles Federico II, tem a duração de 36 meses (1 de novembro de 2025 a 31 de outubro de 2028) e envolve uma ampla parceria europeia de Universidades, Associações apícolas e entidades que se dedicam à investigação, inovação e desenvolvimento.
A reunião de arranque decorreu em Nápoles nos passados dias 16 e 17 de Dezembro, tendo toda a parceria estado junta e reunida pela primeira vez.
UNIONE NAZIONALE ASSOCIAZIONE APICOLTORI ITALIANI (Itália)
GRM Novo mesto (Eslovénia)
CEBELARSKA ZVEZA SLOVENIJE (Eslovénia)
FEDERAŢIA ASOCIAŢIILOR APICOLE DIN ROMÂNIA (Roménia)
BUSINESS INNOVATION COUNCIL (Roménia)
TÜRKIYE ARI YETIŞTIRICILERI MERKEZ BIRLIĞI (Turquia)
HACETTEPE UNIVERSITESI (Turquia)
FEDERAÇÃO NACIONAL DOS APICULTORES DE PORTUGAL (Portugal)
INSTITUTO NACIONAL DE INVESTIGAÇÃO AGRÁRIA E VETERINÁRIA (Portugal)
UNIVERSITY OF ZADAR (Croácia)
PAPEL DA FNAP
No âmbito do projeto BEEXPERT, a FNAP tem como principal tarefa a coordenação (em com o INIAV do Pacote de Trabalho 4 (WP4), ou seja, supervisionar e coordenar o recrutamento dos futuros Consultores Apícolas BEEXPERT, gerir a implementação do MOOC (plataforma de formação aberta e on-line) e coordenar as atividades de aprendizagem em contexto de trabalho.
A FNAP colaborará também nas restantes tarefas do projeto, com especial destaque para a definição do perfil profissional do futuro Consultor Apícola BEEXPERT, ao mesmo que contribui para o quadro de competências e os respetivos conteúdo formativos.
A Comissão Europeia aprovou, no passado dia 26.11.2025, o Sistema de Monitorização de Polinizadores da União Europeia (EU-PoMS) no âmbito da Lei do Restauro da Natureza da UE, com o qual pretende uniformizar procedimentos em todos os Estados-Membros, bem como inverter o declínio das populações de polinizadores até 2030. De referir que as abelhas melíferas (espécie Apis mellifera) estão excluídas deste sistema de recolha de informação, uma vez que para esta espécie, todos os EM da UE tem em funcionamento um sistema de recolha de informação relativo às existências apícolas.
Este sistema é uma meta fundamental da Lei do Restauro da Natureza (LRN), compreendendo um compromisso europeu partilhado para salvaguardar a biodiversidade, garantir a segurança alimentar e reforçar a resiliência da natureza. Um pilar fundamental da LRN é a disponibilidade de uma monitorização fiável, rápida e comparável para avaliar o estado atual e o impacto das medidas tomadas (algo identificado na proposta de Plano de Ação para a Conservação e Sustentabilidade dos Polinizadores, que esteve em consulta pública até ao passado dia 21.11.2025).
Para garantir que todos os Estados-Membros podem monitorizar as populações de polinizadores de forma eficiente e eficaz, a Comissão Europeia adota um método padronizado e baseado em evidências científicas, com o qual se pretende obter um quadro comum de informação, que garanta que os dados anuais recolhidos em todos os territórios nacionais são comparáveis e fiáveis.
O primeiro período de avaliação começa a 16 de dezembro de 2026 e decorre até 2030, prevendo-se a monitorização anual obrigatória da diversidade e das populações de polinizadores em cada Estado-membro.
A FNAP – Federação Nacional dos Apicultores de Portugal, recebeu hoje alimento para quatro mil e quinhentas colmeias, numa ação de apoio da LUSOMORANGO, Organização de Produtores de Pequenos Frutos.
Alimento a ser descarregado em Mirandela nas instalações da Cooperativa de Produtores de Mel da Terra Quente – este alimento destina-se às colmeias sobreviventes dos incêndios da Região Norte: distritos do Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragança
Alimento a ser descarregado na MELTAGUS em Castelo Branco – este alimento destina-se às colmeias sobreviventes dos incêndios da Região Centro: Distritos de Coimbra, Aveiro, Viseu, Castelo Branco e Guarda
“Este donativo simboliza o compromisso da LUSOMORANGO para com a agricultura nacional, e em especial com o setor apícola, que é um pilar basilar do ecossistema nacional”, refere o CEO da LUSOMORANGO, Joel Vasconcelos. “As abelhas são essenciais para que Portugal tenha os melhores pequenos frutos da Europa. Salvá-las é uma obrigação de todos”, acrescenta.
Penedono 15.08.2025 – Foto de Pedro Fernandes
Os incêndios que assolaram o centro e norte do país nas últimas semanas, destruíram muitas colmeias, mas sobretudo destruíram toda a pastagem para aquelas que lograram sobreviver. “Os enxames de abelhas que estão na área ardida não terão flora disponível para se alimentarem, pelo menos até ao início da Primavera de 2026. Vamos ter que alimentar estas colmeias. Este apoio é fundamental para isso, especialmente até começarem a ser distribuídos os apoios estatais”, alerta Manuel Gonçalves, Presidente da FNAP.
Tarouca, 16.07.2025 – Foto de Manuel Pereira Gomes
O apelo da CAP para que os agricultores e o movimento associativo se mobilizassem e se solidarizassem foi escutado pela LUSOMORANGO, o que permitirá “alimentar colmeias desde Castelo Branco a Chaves, passando pela Lousã e Penedono, pois a FNAP fará chegar este alimento a todas as organizações com prejuízos em 2025”, sublinha Manuel Gonçalves. De referir ainda que este esforço contou ainda com a Câmara Municipal de Castelo Branco, que assegurou o transporte do alimento para Castelo Branco, bem como das empresas Amílcar & Morgado e MACMEL.
Covilhã 20.08.2025 – Foto de Mário Silva
De referir que várias Autarquias têm estado a demonstrar preocupação com a sobrevivência das explorações apícolas dos seus concelhos, uma vez que estas garantem rendimentos a muitas famílias. Mangualde, Ponte da Barca e Freixo de Espada à Cinta já alocaram verbas para a aquisição e distribuição de medicamento.
Os apoios definidos pelo Governo para fazer face aos prejuízos causados pelos incêndios de 2025, incluem 3 medidas para a Apicultura (consoante a situação de cada apicultor afetado):
Apoio excecional a atribuir para compensação de prejuízos, mesmo que indocumentados, até ao valor de 10 000 €, na sequência de vistoria conjunta dos técnicos dos municípios e da CCDR. São elegíveis os prejuízos que se reportem a danos referentes a animais, equipamentos e espaços de apoio à atividade. Este apoio assume a natureza de prestação única de carácter excecional;
Apoio aos apicultores cujos apiários foram afetados pelos incêndios, para assegurar a aquisição dealimentação das colónias de abelhas afetadas pelos incêndios;
Restabelecimento do potencial produtivo agrícola, através de candidatura aos concursos para apoio ao restabelecimento do potencial produtivo agrícola (incluem a reposição de animais, armazéns e outras construções de apoio à atividade).
A apicultura portuguesa foi bastante afetada pelos incêndios de 2025, atingindo-se perdas recorde. No levantamento feito pelas organizações de apicultores da área afetada, arderam nos incêndios este verão 9.556 colmeias, tendo sobrevivido na área ardida 22.497 colmeias, as quais precisam de alimentação urgente. Estas colmeias representam 4,2 % do efetivo nacional (de 753.124 colmeias), mas têm um impacto muito maior nas Região Centro e Norte, podendo implicar uma perda de produção futura que pode atingir as 100 toneladas de mel.